1. "SOU A IMACULADA CONCEIÇÃO"
SOU A IMACULADA CONCEIÇÃO
Três crianças caminham em direção as rochas de Massabielle, uma colina rochosa, também chamada “Monte das Cavernas”, na França, com a finalidade de juntar gravetos, conforme solicitação de seus pais. Vão alegres, e cantando se aproximam do riacho que pretendem atravessar. Duas delas, Maria Soubirous e Joana Abadia não hesitam; em pouco tempo estão do outro lado e principiam a coleta dos gravetos. A terceira garota, a mais velha das três, indecisa em se descalçar, temendo por sua saúde, pois é fraca e doentia; tirava uma das meias e olhava para o córrego. Seu nome é Bernadete Soubirous e tem 14 anos.
De repente um forte vento chama sua atenção. Ao virar-se, ainda tinha nas mãos a meia do pé direito. Voltou a inspecionar os arredores e ficou com o olhar cravado no fundo da gruta que via a sua frente. Na absoluta calmaria dessa hora, o galho da roseira brava agitava-se violentamente. Bernadete instintivamente olhou para a árvore – um álamo - que se encontrava mais próximo, para ver o efeito daquela rajada de vento que sacudia a roseira. Surpresa verificou que o álamo estava absolutamente imóvel.
A garota tornou a examinar a gruta que não distava dez passos da pedra onde ela se sentara. O que via nesse momento não era ilusão, não podia ser. Após esfregar os olhos e fecha-los e reabri-los várias vezes, notou o fulgor intenso no nicho em forma de ogiva, dentro da gruta. Nessa luminosidade erguia-se um vulto; era uma jovem Senhora esbelta e elegante, visivelmente feita de carne e osso e que a observava com ternura, sorrindo-lhe docemente. A jovem dama não trajava à moda da época mas, o corte do vestido alvíssimo revelava uma cintura delgada. Um véu suntuoso descia-lhe da cabeça até os tornozelos. Um largo cinto azul, atado sob o seio, descia-lhe até os joelhos. Mas, que azul! Fazia quase doerem os olhos. O mais curioso era, no entanto Bernadete só notou depois – que a dama estava descalça. Os pés delicados ostentavam, pousadas na raiz dos dedos, duas admiráveis rosas de ouro, que delicadamente repousavam sobre uma roseira selvagem.
A princípio Bernadete sobressaltou-se; dominou-a depois o medo; não um medo que a constrangesse a fugir. Não lhe ocorria de modo algum a ideia de se achar em presença de uma visão celeste. Percebia apenas a beleza sobrenatural desse vulto de mulher que nas mãos segurava um rosário de contas brancas, um estupendo cordão de pérolas cintilantes, que descia quase até o solo e, em cuja extremidade brilhava um crucifixo de ouro.
Passado o susto, instintivamente, Bernadete se ajoelha e apanha seu rosário. A belíssima Senhora com um gesto firme faz o sinal da cruz e Bernadete a imita. “Ave Maria, cheia de graça” – Bernadete ouvia sua própria voz, começando a primeira dezena de contas. Quis averiguar se a dama também rezava. Viu-lhe, porém, os lábios parados. A jovem Senhora limitava-se seguir os movimentos da jovem, com suave alegria, fazendo deslizar entre o polegar e o indicador uma das suas pérolas, toda vez que Bernadete deixava para trás uma continha preta. Só quando, ao fim da última carreira, sucedeu o “glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”, a dama suspirou e seus lábios articularam silenciosamente essa frase. Terminada a reza do terço, a visão desvaneceu e com ela o êxtase.
Estes fatos ocorreram em 11 de fevereiro de 1858, em Lourdes, pequena cidade da França. Por mais 17 vezes Bernadete reviu a Senhora que lhe falou, pedindo-lhe que rezasse pelos pecadores, que dissesse aos padres que fizessem construir ali uma capela; indicou-lhe uma fonte milagrosa e só a 24 de março declarou-lhe, diante da humilde interrogação de Bernadete, a bela Senhora, juntando as mãos sobre o peito disse quem era:
Sou a Imaculada Conceição!
Os céticos e até muitos crentes duvidaram dessas palavras. Mas os fatos que ali se verificaram atestam a verdade dessa afirmação. E hoje é sem conta o número de milagres atestados e confirmados e, inúmeros os que recorrem confiantes, solicitando a intercessão da Imaculada Conceição em suas necessidades e aflições. As últimas palavras de Nossa Senhora à Bernadete Soubirous foram: “Fazei penitência e eu vos farei felizes, não nesta vida, mas na outra”.
O DOGMA*
Segundo santo Agostinho, “por um privilégio especialíssimo, Maria Santíssima ficou isenta da culpa original. A alma da Mãe foi criada no estado da graça santificante e nesta permaneceu. Graça igual não recebeste. Concebido em pecado, em pecado nasceste. Mas Deus purificou tua alma, no sacramento do batismo”.
A anunciação é a chave de leitura desse extraordinário privilégio mariano. A Virgem chamada Maria desperta a singular simpatia de Deus porque é cheia de graça. É ela objeto permanente e exclusivo do amor de Deus, cujo horizonte atinge com ela o da humanidade reconciliada com Deus.
A festa está inserida no calendário da Igreja oriental desde o século VII e foi fixada na Igreja ocidental em 1476.
Concebida como todos os filhos de Abraão, Deus quis para Maria uma exceção, não na ordem da natureza, e sim da ordem da graça. Assim, desde o primeiro instante de sua existência, ela não foi privada da amizade com Deus, isso é, da vida divina.
Mas, em meio ao caos e as trevas, Nossa Senhora é como uma luz que brilha sem cessar para todos aqueles que a Ela filialmente recorre.
Como disse o santo florentino Antonino, “Deus Pai ajuntou todas as águas e denominou-as mar, reuniu todas as suas graças e chamou-as Maria”.
Em 1708, Clemente XI estendeu a festa, tornada obrigatória, a toda a cristandade; Pio IX, com a bula Ineffabilis Deus, de 8 de dezembro de 1854, definiu solenemente o dogma da Imaculada Conceição, e assim quis chamar-se a Virgem quando apareceu, quatro anos depois, a Bernadete Soubirous. Diz a bula pontifícia:
“Para a honra da santíssima e indivisível Trindade, para glória e ornamento da Virgem Mãe de Deus, declaramos, pronunciamos e definimos que a doutrina que sustenta que a Bem-Aventurada Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente e em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mácula da culpa original, é doutrina revelada por Deus e por isso deve ser crida firme e constantemente por todos os fiéis”.
NA SOCIEDADE DE SÃO VICENTE DE PAULO
O primeiro cuidado dos fundadores da Sociedade de São Vicente de Paulo foi coloca-la sob a proteção de Nossa Senhora. Jovens católicos fervorosos, desde logo sentiram a necessidade do amparo da Virgem Santíssima, e sob seu manto protetor foram abrigar a obra que surgia. E tudo isto, note-se, fez-se com naturalidade, com o desejo sincero de, no novo apostolado, procurar imitar as virtudes excelsas da excelsa Mãe de Deus. A proposta partiu de Frederico Ozanam.
Conta a história da SSVP: “Após aprovarem a proposta de Le Prevost em nome de vários confrades de se colocar a Conferência sob o patrocínio de São Vicente de Paulo, Frederico Ozanam, por sua vez, manifestou o desejo de se pôr a obra sob a proteção da Santíssima Virgem; também que a invocassem nas suas orações e escolhessem uma de suas festas para honrá-la de maneira especial. Sua proposta foi aceita por unanimidade; acrescentou-se a Ave-Maria às orações de cada sessão e escolheu-se a festa de 8 de dezembro: Imaculada Conceição!
MM
*DOGMA:ponto fundamental e indiscutível de uma doutrina religiosa. Na Igreja Católica Apostólica Romana, ponto de doutrina já por ela definido como expressão legítima e necessária de sua fé.
DOGMATÍSMO:doutrina que afirma a existência de verdades certa e que se podem provar indiscutíveis.

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